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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

De Descartes a Hegel

Slides apresentados em aula.

Descartes a Hegel

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Atividade referente à dialética hegeliana

A atividade já foi realizada em sala de aula, mas aqueles que ainda não entregaram podem responder às questões após a leitura dos posts dialética hegeliana 1 e dialética hegeliana2.

1- De que trata o trecho de Hegel?
2- O que significa identidade? E diferença?
3-O que significa devir no texto?
4-A relação dialética pode ser usada em outras situações, inclusive no cotidiano. Elabore um exemplo e justifique sua resposta.

domingo, 22 de agosto de 2010

A dialética hegeliana 2

“A verdade não é nem o Ser nem o Nada, mas o fato de que o Ser passou (e não passa) ao Nada, e o Nada ao Ser. Contudo, do mesmo modo, a verdade não é a indiferenciação deles, mas sua não-identidade e sua diferença absoluta, e apesar disto, mais uma vez, eles são unidos e inseparáveis, e cada um deles desaparece imediatamente no seu oposto. A verdade deles é pois esse movimento de desaparecimento imediato de um no outro: o Devir. Movimento no qual eles estão ambos bem separados, mas por uma diferença que é imediatamente anulada.”


O texto acima, escrito pelo filósofo alemão G. W. F. Hegel, trata de uma definição dialética da verdade. O modo de pensar dialético é diferente daquele que conhecemos tradicionalmente (atribuído em grande medida a Aristóteles, vide post sobre noções de lógica aristotélica). Com Hegel, a verdade é conhecida não por um pólo (o Ser) ou outro (o Nada), mas é algo que está entre os dois: passagem do Ser ao Nada e vice-versa, mas admitindo que ao mesmo tempo não haja passagem.


Na dialética, a contradição é admitida e necessária, enquanto que na lógica aristotélica não é possível haver Ser e Nada ao mesmo tempo, a contradição é impensável e a verdade é um único estado, no exemplo, ela pode ser o Ser ou o Nada, mas não os dois contrários ao mesmo tempo.


Mas a verdade não é a igualdade entre Ser e Nada (‘indiferenciação’), é justamente o fato de que ambos não são idênticos e têm uma diferença absoluta entre eles. A verdade está na diferença e na união e separação simultânea de ambos, no desaparecimento de um no outro. O Ser desaparece no Nada e o Nada desaparece no ser. Diz Hegel que o Devir é a verdade como movimento de desaparecimento de um no outro. O movimento tem separação, embora a diferença seja anulada.


Comparando novamente com a lógica tradicional de Aristóteles, Hegel não faz o mesmo uso de identidade e diferença como coisas fixas, mas intercambiáveis e partes de um mesmo processo de transformação que ocorre o tempo todo. Para Aristóteles, a identidade é aquilo que é igual a si mesmo, ou seja, exclusivo de um único Ser. Por exemplo: eu sou idêntico a mim mesmo e a minha identidade é o eu (repare que é uma tautologia indispensável para poder pensar logicamente) e a diferença, por contraste, é aquilo que não é igual a si mesmo. A filosofia dialética de Hegel admite o idêntico que se torna não-idêntico pelo Devir e retorna à sua identidade ao final do processo, mas como uma nova identidade que incorpora todas as fases do diferente, o negativo ou o não-idêntico.


O modo dialético hegeliano foi utilizado por muitos filósofos, com adaptações, entre eles Karl Marx e Friedrich Engels para pensar os processos históricos, as relações sociais entre patrões e empregados (ou burgueses e proletários) ou mesmo as relações naturais. Também permite pensar a relação eu-outro ou ser humano e natureza.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

quadrinhos 10 pãezinhos



"Ao retirar o véu que cobre o real, procurando penetrar nas coisas, encontramos apenas a nós mesmos".
Hegel

A dialética hegeliana 1

A filosofia de Hegel contraria a visão de muitas outras correntes de que a realidade é baseada num só princípio. É chamada de idealismo e procura superar o dualismo de sujeito e objeto. O principio básico do idealismo está no próprio homem (na subjetividade), ou seja, se encontra a realidade através do homem e é ele quem “define a realidade”. Grosso modo o oposto do idealismo é o materialismo. Podemos considerar Platão como o primeiro idealista onde, para ele, a realidade estava no “mundo das ideias”, nas formas inteligíveis, atingíveis apenas pela razão.


Mas, para Hegel, o fundamento da realidade era a “ideia”, que se desenvolve numa linha de estrita necessidade. A dinâmica dessa necessidade não teria sua lógica determinada pelos princípios de identidade e contradição, mas sim pela “dialética“, realizada em três fases: tese, antítese e síntese. Assim toda realidade primeiro “se apresenta”, depois se nega a si própria e num terceiro momento supera e elimina essa contradição. Dessa maneira, para Hegel, a dialética é o único método de garantir o conhecimento científico do absoluto e de “elevar” a filosofia à ciência, onde a verdade pode receber a forma rigorosa do sistema de cientificidade.


A filosofia dialética é movimento, e precisamente o movimento circular ou em espiral, com ritmo triádico. Os três momentos do movimento dialético são:

1) a tese, que é o momento abstrato ou intelectivo;

2) a antítese, que é o momento dialético (em sentido estrito) ou negativamente racional;

3) a síntese, que é o momento especulativo ou positivamente racional, a negação da negação.


Segundo esse esquema, a ideia lógica, o princípio, converte-se em seu contrário, a natureza, e esta em espírito, que é a “síntese” de ideia e natureza: a ideia “para si”. A cada uma dessas etapas correspondem, respectivamente, a lógica, a filosofia natural e a filosofia do espírito. A parte mais complexa do sistema é essa última: o espírito se desdobra em “subjetivo“, “objetivo” e “absoluto“.


O espírito subjetivo é o de cada indivíduo, e o espírito objetivo é a manifestação da ideia na história: sua expressão máxima é constituída pelo estado, que realiza a razão universal humana, síntese do espírito subjetivo e do objetivo no espírito absoluto. Este alcança o máximo do conhecimento de si mesmo, de maneira cada vez mais perfeita, na arte, na religião e na filosofia. Assim, o espírito só chega a se compreender como tal no homem, já que existe “unidade e identidade da natureza divina e da natureza humana”.


O Processo dialético é um processo racional original, no qual a contradição não mais deve ser evitada a qualquer preço, mas, ao contrário, se transforma no próprio motor do pensamento, ao mesmo tempo em que é o motor da história, já que esta última não é senão o Pensamento que se realiza. Repudiando o princípio da contradição de Aristóteles, em virtude do qual uma coisa não pode ser e, ao mesmo tempo, não ser, Hegel põe a contradição no próprio núcleo do pensamento e das coisas simultaneamente. O pensamento não é mais estático, ele procede por meio de contradições superadas, da tese à antítese e, daí, à síntese, como num diálogo em que a verdade surge a partir da discussão e das contradições. Uma proposição (tese) não pode se pôr sem se opor a outra (antítese) em que a primeira é negada, transformada em outra que não ela mesma (”alienada”). A primeira proposição será finalmente transformada e enriquecida numa nova fórmula que era, entre as duas precedentes, uma ligação, uma “mediação” (síntese).


A dialética para Hegel é o procedimento superior do pensamento é, ao mesmo tempo, “a marcha e o ritmo das próprias coisas”. Vejamos, por exemplo, como o conceitofundamental de “ser” se enriquece dialeticamente. Como é que o ser, essa noção simultaneamente a mais abstrata e a mais real, a mais vazia e a mais compreensiva, transforma-se em outra coisa? É em virtude da contradição que esse conceito se desenvolve. O conceito de ser é o mais geral, mas também o mais pobre. “Ser”, sem qualquer qualidade ou determinação, é, em última análise, não ser absolutamente nada, é “não ser”! O ser, puro e simples, equivale ao não-ser (eis a antítese). É fácil ver que essa contradição se resolve no vir-a-ser (posto que vir-a-ser é não mais ser o que se era). Os dois contrários que engendram o devir (síntese), aí se reencontram fundidos, reconciliados.



ilustração M.C. Escher

domingo, 15 de agosto de 2010

Falta Olho no Olho

O relacionamento interpessoal anda difícil, e há muitas razões para isso.
Temos a obrigatoriedade de encontrar a felicidade, pensamos sempre em nós mesmos em primeiro lugar, consumimos e descartamos tudo com facilidade, competimos com quase todos.
Mas é principalmente o fato de vivermos em uma sociedade que aprecia o espetáculo que tem dificultado sobremaneira o relacionamento entre pais e filhos. Você esteve recentemente em alguma festa junina de escola, onde os alunos apresentaram danças? Participou de uma festa de aniversário de criança ou teve a oportunidade de ver pais e filhos em passeios?
Caso sim, certamente deve ter notado que, em geral, entre os olhos dos pais e os dos filhos há um obstáculo: uma câmera. Ela pode ser fotográfica, embutida no celular, de vídeo etc. Mas está sempre presente.
Às vezes, não é uma câmera que se interpõe entre o encontro de olhares de pais e filhos, e sim um vídeo que não permite que a criança olhe para outra coisa.
Agora, virou moda entreter as crianças com aparelhos portáteis de DVD em todos os lugares.
Muitas famílias já têm esse aparelho até no carro. "Foi a melhor coisa que eu fiz, porque assim as crianças não brigam nem me atrapalham" me disse a mãe de duas crianças.
Outras não viajam sem ele na bolsa, para que esteja sempre pronto para ser sacado em momentos delicados.
Recentemente, em uma viagem aérea, sentei ao lado de um casal com um filho de menos de dois anos. Assim que se acomodaram, a criança começou a berrar e a se contorcer. De imediato, os pais abriram a mochila e de lá retiraram o tal aparelho com um DVD de animação.
Milagre! A criança se acalmou e assim ficou até terminarem o filme e a viagem. Nenhuma troca de palavras ou de olhar entre eles. Nas festas dos filhos, em vez de os pais curtirem a celebração, preferem ficar "registrando" tudo para que depois, em casa, possam assistir ao filme, de preferência com convidados.
Claro que o registro mostra parte da história da família e ajuda a reconstruir a memória pessoal e do grupo, o que é importante na vida.
O problema tem sido a substituição do relacionamento pelo registro porque, dessa maneira, abolimos a memória afetiva.
Vamos reconhecer que, para muitos pais, essa troca é extremamente confortável. É mais fácil acalmar a criança com um filme, é mais tranquilo não ter de enfrentar brigas dos filhos no carro e menos desgastante filmar a festa de aniversário do filho do que participar da mesma.
Só que, dessa maneira, as crianças deixam de aprender coisas importantes e seus pais deixam de exercer seu papel quando ele é mais necessário. Ensinar a criança a conviver é a função mais importantes da família e é isso o que significa socializar.
Saber se conter, se controlar e esperar, desenvolver estratégias frente às decepções e aos sofrimentos, aprender a se cuidar para estar com os outros e a se comportar em diferentes contextos: tudo isso e muito mais é um árduo e longo aprendizado, que deve começar assim que a criança nasce. E a base de todo o ensinamento é o vínculo entre pais e filhos.
É claro que a televisão, o computador, o aparelho de DVD, a câmera, o videogame e tudo o mais têm o seu papel na vida da criança.
Mas a relação entre pais e filhos, o olho no olho, os conflitos entre eles e o convívio entre eles são insubstituíveis.

Roseli Sayão. Folha de São Paulo, 06 de julho de 2010.

Atividades

  1. O texto acima pode ser considerado uma dissertação. Reconheça e assinale as partes da redação: introdução (inclui a tese ou objetivo); desenvolvimento (indique os argumentos separadamente) e conclusão.
  2. Faça uma comparação ou interpretação do texto com a dialética hegeliana. Sugestão: pode-se tomar como base a questão do reconhecimento interpessoal apontada pelo filósofo. Responda sob a forma de dissertação. Faça citações para auxiliar suas argumentações. De 20 a 30 linhas.